terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Dance for the climate
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abraço
Pedro
2009.12.01
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
ONU preocupada com jovens que navegam sozinhos na Internet
«É uma das coisas mais importantes que a nossa geração deve fazer para proteger as nossas crianças», sublinhou o secretário-geral da UIT, Hamadoun Touré, no âmbito da Telecom World, uma feira de telecomunicações, que está em Genebra, Suíça, desde segunda-feira.
O responsável das Nações Unidas explicou que as recomendações da União Internacional das Telecomunicações podem ser consultadas na Internet e vão mudar de ano para ano, devido à rapidez com que o sector das telecomunicações se altera.
Estas recomendações destinam-se aos políticos e industriais do sector, pais e educadores e também às crianças.
«É preciso fazer com que as crianças compreendam que aquilo que elas vêem não é aquilo que parece», explicou um responsável da organização Save de Children (Salvem as Crianças), Dieter Carstensen.
A UIT recomenda ainda os jovens para que tenham atenção aos seus encontros virtuais e para que filtrem bem os convites que recebem.
Mais de 750 mil «predadores» sexuais procuram entrar em contacto com jovens estão online permanentemente, segundo um relatório apresentado em Setembro no Conselho dos Direitos do Homem das Nações Unidas.
«Para muitos jovens, há uma linha ténue ou não há linha nenhuma entre o mundo real e o mundo virtual», considerou Nenita Larose, directora da organização Helpline International, uma rede de associações de ajuda telefónica a jovens de 160 países.
A UIT estima que em 2009, cerca de 1,5 mil milhões de pessoas recorram à Internet, contra apenas 200 milhões em 1998.
texto retirado do SOL de 2009.10.08
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=150182
2009.10.08
Pedro
terça-feira, 22 de setembro de 2009
A Tendencia das Pulseiras Snap
É algo que me fascina e que me provoca admiração, especialmente porque estas "linguagens" são quase na sua grande maioria para fazer coisas ilícitas (o génio humano adora secretismos e sentir-se especial/diferente/único).
Esta "nova tendência" é um bom exemplo desta temática, o Snap - "jogo" mas para mim é realmente uma lingua, no qual a cor da pulseira indica uma disposição para praticar uma determinada actividade sexual. Quando um rapaz arranca a pulseira a uma rapariga, indica ostensivamente que essa actividade irá eventualmente ter lugar.
Tipicamente são pulseiras de material borrachoso que se assemelham a umas que se tornaram populares nos anos 80. Mas, ao longo dos últimos anos, algumas escolas norte-americanas têm-nas proibido por temerem que se tenham tornado símbolos de actividade sexual. Com efeito, inúmeros websites sobre pulseiras de gelatina, ou pulseiras do sexo, fazem referência ao jogo snap, e alguns dos sites contêm mesmo a descodificação das cores, que passo já a identificar:
Yellow - indicates the wearer is willing to HUG
Pink - indicates the wearer is willing to give a hickey
Orange - indicates the wearer is willing to KISS
Purple - indicates the wearer is willing to kiss a partner of either sex
Red - indicates the wearer is willing to perform a LAP DANCE
Green - indicates that ORAL SEX can be performed on a girl
Clear - indicates a willingness to do "whatever the snapper wants"
Blue - indicates ORAL SEX performed on a guy
Black - indicates that the wearer will have regular "missionary" sex
White - indicates the wearer will "FLASH" what they have
Glittery Yellow - indicates HUGGING and KISSING is acceptable
Glittery Pink - willing to "flash" (show) a body part
Glittery Purple - wearer is willing to French (open mouth) kiss
Glittery Blue - wearer is willing to perform anal sex
Glittery Green - indicates that the wearer is willing to "69" (mutual oral sex)
Glittery Clear - indicates that the wearer will let the snappee "feel up" or touch any body part they want
Enfim, cada nova tendência tem sempre o seu quê de especulativo mas uma coisa é certa, a adolescência é um terreno muito fértil para este tipo de "comunicação" e convém sempre estar atento (especialmente se formos pais).
citando http://tusabar.blogspot.com/
abraço
Pedro
2009.09.22
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Eu Sou o Que Leio
procurava-se demontrar que todos nós somos influenciaveis e susceptiveis de modulação, quer seja pelas pessoas com quem convivemos, quer seja pelas experiencias que atravessamos na vida, quer seja pelos livros que se lê.
estou a ler "quando tudo se desmorona", um relato impressionate das culturas africanas e a influencia das missões, pelos olhos de um nativo.
em mente tenho o novo do Dan Brown, embora sinta que começa a ser literatura enlatada e escrita a metro. vamos ver ...
Tambem vou comprar "confesso que vivi", do autor de "100 anos de solidão".
Como "Somos (tambem) o que lemos", espero que me enriqueça e me molde ...
Lê ? (tirando os jornais gratuitos e as publicidades da caixa de correio)
Incentiva os seus pequenotes a Ler ?
2009.09.17
Pedro
terça-feira, 28 de julho de 2009
Especialista alerta: Crianças estão a ser mal educadas
A Maria tem três anos e adora a palavra "não". Gosta de dizê-la - com dedinho indicador a abanar e cabeça a acompanhar o compasso - em relação à sesta da tarde, à arrumação dos brinquedos, à hora de ir dormir, à escuridão do quarto, aos sapatos que não são ténis, à roupa que não tem a "Hello Kitty", à comida que não é massa, ao brinquedo que não seja plasticina, ao canal de televisão que não seja o Panda, ao DVD que não tenha o Ruca, à rua onde não exista um parque. A resposta pronta e negativa só muda para sim, se a mãe disser não. Porque na boca da mamã a palavra perde a graça, limita-lhe as vontades ilimitadas, traça fronteiras entre o possível que ela não quer e o impossível que deseja, gere-lhe o comportamento infantil. "Impor barreiras dói, negar algo custa, mas é uma forma de amar. É uma prenda que se dá aos filhos e que lhes assegura uma entrada firme no mundo real", explicou ao Expresso a psicoterapeuta infantil Asha Phillips, autora de "Um Bom Pai Diz Não", um livro best-seller mundial lançado agora em Portugal.
Confessa a mãe da Maria que dizer não nem é uma tarefa hercúlea, o pior mesmo é mantê-lo. Porque a seguir às três letrinhas vem logo a tristeza chantageante da petiz, ou a insistência repetida à exaustão que leva ao limite a paciência de qualquer adulto, ou a vergonha que sobe vermelha ao rosto materno quando a birra se esparrama no chão do supermercado. "Os pais modernos têm muita dificuldade em dizer não aos filhos e essa permissividade tem consequências terríveis. Estão a criar pequenos tiranos, que não sabem reagir a adversidades porque nunca foram contrariados. Ou então criam crianças medricas, absolutamente dependentes, que não sabem fazer nada sozinhas."
Já a imaginar a Maria no seu pedestal de ditadora, ou com 40 anos e grudada que nem lapa à casa dos pais, a mãe vai procurar socorro e soluções no livro de Asha. O título é duplamente apelativo (ainda que faça torcer o nariz quanto à tirada lógica de que é mau pai aquele que diz sim). Não há pai que não deseje ser perfeito e ponho as duas mãozinhas no lume se algum tem certezas absolutas sobre os limites que deve impor aos filhos para atingir essa plenitude parental. Pode dormir de luz acesa? E na cama dos pais? Quantas horas de televisão? Pode escolher o que vai comer? E o que vai vestir? O que fazer perante uma birra? Quando se pode dizer sim? E quando se deve começar a dizer não? E quando é tarde de mais para começar a traçar limites?
A psicoterapeuta britânica conhece cada uma das dúvidas de cor, ri-se sempre quando se sente como o manual de instruções onde os pais querem encontrar soluções concretas. "Não há uma resposta única nem o meu livro é de receitas", diz com um sorriso aberto. Mas reconhece-se nestas dúvidas. Ela também é mãe, de duas raparigas agora já adultas, e foi a sua enorme dificuldade em contrariá-las que a levou a procurar literatura de ajuda. Como não encontrou, escreveu ela o livro - a primeira edição é de 1999 -, dividido por conselhos para bebés, crianças dos dois aos cinco anos, os anos da escola primária e os adolescentes.
"Os limites devem começar a ser colocados quando ainda andam ao colo. É geralmente nessa altura que dizemos pela primeira vez sim quando devíamos ter dito não". Para Asha, os erros cometidos pelos pais nesta fase prendem-se com a ansiedade de tudo quererem fazer e sempre bem. Ao mínimo ruído do bebé, a mãe entra no quarto. Mal abre os olhos pega-lhe. Mal ouve um choro dá-lhe de comer. A chucha cai e a mãe apanha. O bebé quer colo e a mãe dá. "Os pais querem o seu bebé sempre a sorrir, fazem-lhe todas as vontades, dizem que sim a tudo e ele consegue tudo sem esforço. Nem lhe dão a possibilidade de descobrir o que consegue fazer sozinho".
O medo dos pais de errar é grande, mas em vez de transmitirem segurança asfixiam o desenvolvimento da sua independência e criam crianças infelizes e inadaptadas. "Às vezes acertamos, outra não. É normal. Não existem pais ou mães perfeitos, não se espera que acertemos sempre. Aliás, o encaixe perfeito - uma mãe que poupa o filho a todo e qualquer tipo de irritação - não é benéfico. A recuperação de um desencontro promove o desenvolvimento, e é certo que serão sempre mais as vezes em que as necessidades do bebé são satisfeitas do que o inverso."
Dizer não a um bebé é não ir a correr para o quarto quando ele choraminga, é deixá-lo encontrar a chucha sozinho, é permitir que ele descubra uma fonte de conforto alternativa à mãe ou ao pai (o polegar, por exemplo). Dizer não é não deixar a luz do quarto acesa ou não mergulhar a casa num silêncio sepulcral, para que o bebé cresça no mundo real. "Nesta fase, o estabelecimento de limites surge não tanto como uma restrição mas mais como uma porta aberta à criatividade".
No segundo capítulo do manual, Asha Phillips fala das crianças dos dois aos cinco anos, que vivem tudo com paixão e emoções extremadas. "É o período mais desafiante. Acham que podem fazer tudo. Conseguem andar, falar e odeiam ser tratados como bebés", explica a psicoterapeuta. A mãe de Maria parece que está a ler uma descrição da filha "Eu já sou grande" (dita em bicos de pés). "Eu faço", "Eu consigo" são as frases mais repetidas pela menina de três anos. "Por um lado isso é maravilhoso e deve ser encorajado, mas os pais também têm de lhes lembrar que não podem fazer tudo, de uma forma que não esmague o seu empreendorismo, a sua paixão pela descoberta", explica Asha. Os principais limites devem ser impostos por estes anos. Com firmeza e consistência. De nada vale uma nega pouco convicta; a criança reverte-a em três tempos. E um sim excepcional nunca mais voltará a ser aceite como não.
Na vida normal de uma casa onde existe uma criança pequena, impulsiva, activa, exigente, curiosa, o não pode muito bem passar a ser a palavra mais usada - na casa da Maria é, garantidamente. Mas o adulto que a diz tem de acreditar que está a fazer o que está certo. "Se as respostas ao seu comportamento forem consistentes, a criança adquire uma boa ideia do que é permitido e do que é proibido, do que é seguro e perigoso."
Quando a criança rejeita relutantemente o não, Asha Phillips recomenda o recurso ao castigo ou mesmo uma "leve palmada ocasional" para deter uma escalada de conflito. "Não é o castigo em si que importa, mas aquilo que o seu comportamento transmite. Não é preciso uma marreta para partir uma noz". O excesso de autoridade tem, em geral, o efeito oposto ao desejado. O mesmo é verdade em relação a perder a calma, humilhar a criança e entrar numa batalha de vontades. "Mas se alguma vez um pai perder a cabeça e disser ou fizer algo de que se arrepende, não é o fim do mundo. Isso pode ajudar a criança a perceber que o pai ou a mãe também são humanos." A mãe, humana, de Maria suspira de alívio. Asha Phillips absolveu-a.
Mais importante do que dizer não, é mantê-lo
Alberto Frias
Asha Phillips explicou ao Expresso como a sociedade actual, de mães trabalhadoras, sem nenhum tempo e com muito sentimento de culpa, e o aumento das famílias monoparentais, estão a estimular a permissividade parental.
Porque é tão difícil dizer não?Ao negarmos algo, ao contrariarmos uma vontade, somos impopulares e geramos conflitos. E fugimos disso. É uma herança do pós-guerra. As pessoas passaram a achar que tudo o que era rígido era fascista. Nós, os pais que viveram o flower power, tornámo-nos tão contra tudo isso que começámos a fazer o oposto. O legado negativo dos anos 60 foi deseducar. Essa geração educou outra que cresceu desamparada, com demasiada liberdade.
A estrutura actual de família, com pai e mãe a trabalhar, ou mesmo monoparental, não facilita a tarefa.Há uma enorme culpa, por parte das mães que trabalham, e que sentem que não se dedicam a tempo inteiro aos filhos. O facto de terem de os deixar faz com que pensem não estar a cumprir bem o seu papel. E como a maioria das mulheres ainda tem a exclusividade das tarefas domésticas mal chega a casa...
E diz-se sim para compensar os filhos e para amainar a culpa...Não queremos discussões porque tivemos saudades deles o dia todo, queremos que nos achem amorosas. E por isso não dizemos "Chega de televisão" ou "Está na hora de ir para a cama".
Quando é que é demasiado tarde para se começar a ditar limites?Nunca. Só que quanto mais tarde mais difícil. O ideal é começar quando os filhos são bebés. Chegar à idade escolar sem regras, por exemplo, pode ser muito complicado. A forma como os miúdos reagem ao "não" tem um enorme impacto na sua capacidade de se adaptarem, fazerem amigos e aprenderem na escola. Tentar impor regras a um adolescente que nunca as teve é quase uma impossibilidade.
Há erros práticos que se devem evitar?O maior é os pais quererem ser perfeitos. Por exemplo, com os bebés: custa-lhes ouvi-los chorar e por isso correm até eles ao mínimo ruído. Mas várias investigações recentes deixam-me descansada como mãe: concluíram que é bom não acertar sempre, que o ajuste perfeito não é benéfico. O que é bom para o desenvolvimento é existirem acertos, erros e reparos. E isso é que é a vida real.
Todos os pais querem ser perfeitos.Mas isso é o que interessa aos pais. Não o que interessa ao filho.
Os filhos podem tomar decisões?Claro que deixá-los decidir, de vez em quando, dá-lhes independência, iniciativa, criatividade. É maravilhoso ver o seu entusiasmo e energia. Mas não é benéfico dar-lhes demasiada escolha, porque depois torna-se uma responsabilidade deles e isso é de mais quando se é criança.
Podem, por exemplo, opinar sobre o que vão comer?Ui. Não sei como é em Portugal, mas em Inglaterra a hora da refeição tornou-se terrível. Imagine-se que se tem três crianças, e uma quer comer massa, outra carne e a outra é vegetariana, e a mãe cozinha três refeições diferentes. Isso é de loucos. Deve-se dizer: "Esta é a refeição hoje, eu sou tua mãe e sei o que é bom para ti e por isso é isto que vamos comer." Se não quer, paciência. Porque se a nossa criança quer massa todos os dias e nós satisfazemos esse capricho, então quando vamos comer a casa de amigos ou na escola eles não vão querer comer porque não é massa. E aí a mãe tem um grande problema. É tudo uma questão de flexibilidade e de os pais fazerem o seu filho sentir que ele se consegue adaptar às coisas do mundo e que não é sempre o mundo que se adapta a ele.
E dormir na cama dos pais, é proibido?Não há um não ou um sim claro. Se a criança dorme bem, se os pais dormem bem não há problema. Mas se isso é feito mais pelos pais do que pelas crianças, se é o pai que precisa de conforto, então está errado.
E o que fazer durante as birras no supermercado, com as crianças que esperneiam no chão?Mais uma vez, não há uma regra mágica. Se acha que já está há demasiado tempo no shopping e que a criança está cansada, então a culpa é dos pais e é altura de ir para casa. Se, por outro lado, passam o tempo todo "eu quero, eu quero", é muito importante não ceder. E se a criança se atira para o chão, que isso não afecte os pais porque é quando nos preocupamos com o que os outros comentam que se tomam decisões erradas. Podemos deixá-la espernear por 5 ou 10 minutos, esperar que acabe e continuar o que se estava a fazer. Regras dão-lhes estrutura, um objectivo e, depois, o sentimento de vitória quando o alcançarem.
Mas como podem os pais saber quando devem dizer sim ou dizer não?É muito difícil. O livro não encerra nenhuma fórmula secreta, porque ela simplesmente não existe. É importante não dizer sempre não, porque seria ridículo, temos que escolher os nossos 'nãos' com muito cuidado, os verdadeiramente importantes. E quando os escolhemos temos que os segurar, não ceder. O que realmente não é bom para as crianças é dizer não, não, não e depois dizer sim. Porque assim nunca saberão quais são os limites. E uma criança usará os nossos argumentos, a nossa linguagem, e vai lembrar-se sempre daquela vez em que dissemos sim - "Se naquele dia deixaste porque não deixas hoje?" São muito lógicos e encostam-nos a um canto com os seus argumentos.
Há alguma altura do dia mais propícia para a transmissão dessas regras?Se está a tentar impor limites comece nas alturas fáceis do dia - nunca de manhã quando se corre para a escola e para o emprego.
Asha Phillips, psicoterapeuta infantil, 55 anos, escreveu a primeira versão do livro em 1999. Um caso perdido na arte de dizer não às duas filhas, procurou livros que a ajudassem. Como não encontrou, escreveu ela a obra, com base nos casos que tratou na Tavistock Clinic. "Acredite se quiser: ainda hoje o consulto". Viveu os anos 60 em paris - encontra aí a fonte da sua permissividade - e parte da vida na índia.
Actualmente, exerce a nível particular, atendendo crianças, famílias e casais, em Londres. Na semana passada esteve em Lisboa para apresentar a versão portuguesa de "Saying No". A tradução "Um Bom Pai Diz Não" (Editora Lua de Papel) não a satisfaz plenamente - "encerra um certo juízo de valor" -, mas adora o acrescento no canto inferior direito da capa: "impor limites é uma forma de amar".
Texto publicado na edição do Expresso de 25 de Julho de 2009
retirado do expresso on-line
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/528155
sexta-feira, 24 de julho de 2009
quarta-feira, 1 de julho de 2009
O que nos rouba dos nossos queridos …
Desde sempre, o homem possui o instinto de agradar aos seus superiores.
Porque isso pode dar reconhecimento de mérito, logo algum poder, dinheiro ou status acrescido. Por sua vez isso ajudará a construir um ego mais forte, uma carteira mais recheada e eventualmente o acesso (genericamente comprando) a um conjunto de coisas que de outra forma não teríamos, recompensando-nos assim pelos "sucessos" alcançados.
Em muitos locais de trabalho, vivesse uma verdadeira politica de selvajaria, de domínio déspota ou pior míope do superior sobre o funcionário. Neste sentido, enviaram-me o outro dia um artigo da Isabel Stilwell (que traduzido será qualquer coisa como "AINDA BEM" – não resisti) no destak, onde reflectia um pouco sobre este tipo de questão.
Deixo-vos o recorte de jornal. Espero que após o ler possam dizer: ainda bem, ou melhor
Bravo StilWell
2009-07.01
Pedro
terça-feira, 12 de maio de 2009
A Executiva, a lição
Se alguém se der ao trabalho de ler o meu post sobre "A executiva", que não é mais que um plágio grosseiro de uma revista de gestão conhecidíssima como é a revista Exame.
Aliás, confesso que nem sequer tive a decência de a ler, apenas executei uma tarefa banal e para a qual nem é necessário ter QI como é um erudito Copy Paste a partir de um mail que alguém muito mais capaZ e sabedor teve a bondade de me enviar.
Porque digo isto?
Porque me irrita sobremaneira que na sociedade actual sejamos doutrinados para ter de ser os melhores.
O que é que vos soa melhor?
O meu filho teve boas notas
Ou
O meu filho faz parte do quadro de honra na escola dele
Percebem?
Irritantemente encorajamos a competição e não a excelência
"Em terra de cegos, quem tem um olho é Rei" parece ser o estúpido lema.
Que tal propormos aos nossos miúdos que a sua actuação seja norteada por princípios de verdadeira excelência da solidariedade e da entreajuda, da preocupação de sermos melhores mas não forçosamente os melhores.
Que tal explicarmos que a felicidade se escreve com tempo, com atenção, com palavra, com honra, com dignidade, com apoio e nunca, mas nunca mesmo poderá ser escrita no papel do orgulho, da hipocrisia, ou da indiferença para com o nosso semelhante.
Não coloquemos os nossos miúdos sob uma pressão tal que os impede de viver a sua meninice, de rir, de brincar, de sonhar, e de simplesmente não fazerem nada de quando em vez, porque a vida é muito boa quando vivida assim.
Pedro
2009.05.12
A Executiva
Foi tudo muito rápido. A executiva bem-sucedida sentiu uma pontada no
peito, vacilou, cambaleou. Deu um gemido e apagou-se. Quando voltou a
abrir os olhos, viu-se diante de um imenso Portal.
Ainda meio zonza, atravessou-o e viu uma miríade de pessoas. Todas
vestindo cândidos camisolões e caminhando despreocupadas. Sem
entender bem o que estava acontecendo, a executiva bem-sucedida
abordou um dos passantes:
- Enfermeiro, eu preciso voltar com urgência para o meu escritório,
porque tenho um meeting importantíssimo. Aliás, acho que fui trazida
para cá por engano, porque meu convénio médico é classe A, e isto aqui
está me parecendo mais um pronto-socorro. Onde é que nós estamos?
- No céu.
- No céu?...
- É.
- Tipo assim... o céu, CÉU...! Aquele com querubins voando e coisas do género?
- Certamente. Aqui todos vivemos em estado de gozo permanente.
Apesar das óbvias evidências (nenhuma poluição, todo mundo sorrindo,
ninguém usando telemóvel), a executiva bem-sucedida custou um pouco a
admitir que havia mesmo "apitado na curva".
Tentou então o plano B: convencer o interlocutor, por meio das
infalíveis técnicas avançadas de negociação, de que aquela situação
era inaceitável. Porque, ponderou, dali a uma semana ela iria receber
o bónus anual, além de estar fortemente cotada para assumir a posição
de presidente do conselho de administração da empresa.
E foi aí que o interlocutor sugeriu: - Talvez seja melhor você
conversar com Pedro, o encarregado.
- É? E como é que eu marco uma audiência? Ele tem secretária?
- Não, não. Basta estalar os dedos e ele aparece.
- Assim? (...)
- Pois não?
A executiva bem-sucedida quase desaba da nuvem. À sua frente,
imponente, segurando uma chave que mais parecia um martelo, estava o
próprio Pedro.
Mas a executiva tinha feito um curso intensivo de approach para
situações inesperadas e reagiu rápido:
- Bom dia. Muito prazer. Belas sandálias. Eu sou uma executiva bem-sucedida e...
- Executiva... Que palavra estranha. De que século você veio?
- Do 21. O distinto vai me dizer que não conhece o termo 'executiva'?
- Já ouvi falar. Mas não é do meu tempo.
Foi então que a executiva bem-sucedida teve um insight. A máxima
autoridade ali no paraíso aparentava ser um zero à esquerda em
modernas técnicas de gestão empresarial. Logo, com seu brilhante
currículo tecnocrático, a executiva poderia rapidamente assumir uma
posição hierárquica, por assim dizer, celestial ali na organização.
- Sabe, meu caro Pedro , se você me permite, eu gostaria de lhe fazer
uma proposta. Basta olhar para esse povo todo, só na conversa e
andando à toa, para perceber que aqui no Paraíso há enormes
oportunidades para fazer um upgrade na produtividade sistémica.
- É mesmo?
- Pode acreditar, porque tenho PHD em reengenharia de processos. Por
exemplo, não vejo ninguém usando crachá. Como é que a gente sabe quem
é quem aqui, e quem faz o quê?
- Ah, não sabemos.
- Entendeu o meu ponto de vista? Sem controle, há dispersão. E
dispersão gera desmotivação. Com o tempo isto aqui vai acabar numa
anarquia. Mas nós dois podemos resolver tudo isso implementando um
simples programa de targets individuais e avaliação de performance.
- Que interessante...
- É claro que, antes de tudo, precisaríamos de uma hierarquização e um
organograma funcional, nada que dinâmicas de grupo e avaliações de
perfis psicológicos não consigam resolver.
- !!!...???...!!!...???...!!!
- Aí, contrataríamos uma consultora especializada para nos ajudar a
definir as estratégias operacionais e estabeleceríamos algumas metas
factíveis de leverage, maximizando, dessa forma, o retorno do
investimento do Grande Accionista... Ele existe, certo?
- Sobre todas as coisas.
- Óptimo. O passo seguinte seria partir para um downsizing
progressivo, encontrar sinergias high-tech, redigir manuais de
procedimento, definir o marketing mix e investir no desenvolvimento de
produtos alternativos de alto valor agregado. O mercado telestérico,
por exemplo, parece-me extremamente atractivo.
- Incrível!
- É óbvio que, para conseguir tudo isso, nós dois teremos que nomear
um board de altíssimo nível. Com um pacote de remuneração atraente, é
claro. Coisa assim de salário anual de seis dígitos e todos os fringe
benefits e mordomias de praxe. Porque, agora falando de colega para
colega, tenho certeza de que você vai concordar comigo, Pedro. O
desafio que temos pela frente vai resultar num Turnaround radical.
- Impressionante!
- Isso significa que podemos partir para a implementação?
- Não. Significa que você terá um futuro brilhante.... se for
trabalhar com o nosso concorrente. Porque você acaba de descrever,
exactamente, como funciona o Inferno...
Max Gehringer in (Revista Exame)
sábado, 27 de setembro de 2008
Não Tenho Tempo
Sabe, meu filho,
Até hoje não tive tempo para brincar com você
Arranjei tempo para tudo,
Menos para ver você crescer.
Nunca joguei
dominó,
dama,
xadrez
ou batalha naval com você.
Percebo que você me rodeia,
Mas sabe, sou muito importante,
e não tenho tempo!...
Sou importante para números, convites-sociais,
Uma série de compromissos inadiáveis...
E largar tudo isso para sentar no chão com você!...
Não, não tenho tempo!
Um dia você veio com o caderno da escola para o meu lado.
Não liguei, continuei lendo o jornal.
Afinal, os problemas internacionais
São mais sérios do que os da minha casa.
Nunca vi seu boletim
nem sei quem é sua professora.
Não sei nem qual foi sua primeira palavra.
Também, você entende...
não tenho tempo!...
De que adianta saber as mínimas coisas de você
Se eu tenho outras grandes coisas a saber?
Puxa como você cresceu!
Você já passou da minha cintura. Está alto!
Eu não havia reparado nisso!
Aliás, não reparo quase em nada,
minha vida é corrida,
E quando tenho tempo, prefiro usá-lo lá fora,
E se uso aqui, perco-me calado diante da TV,
Porque a TV é importante e me informa muito...
Sabe, meu filho...
A última vez que tive tempo para você,
foi numa cama,
Quando o fizemos!
Sei que você se queixa,
Que você sente falta de uma palavra,
De uma pergunta minha,
De um corre-corre,
De um chute na sua bola.
Mas eu não tenho tempo!
Sei que você sente falta do abraço e do riso,
Do andar a pé até a padaria
para comprar guaraná,
Do andar à pé até o jornaleiro
para comprar "Pato Donald".
Mas sabe há quanto tempo
não ando a pé na rua?
Não tenho tempo!...
Mas você entende, sou um homem importante,
Tenho que dar atenção a muita gente,
Dependo dela...
Filho, você não entende de comércio!
Na realidade, sou um homem sem tempo!
Sei que você fica chateado,
Porque as poucas vezes que falamos é monólogo,
só eu falo.
E noventa e nove por cento é bronca:
Quero silêncio, quero sossego!
E você tem a péssima mania
de vir correndo sobre a gente,
Você tem a mania
de querer pular nos braços dos outros...
Filho, o que você entende de
computador,
comunicação
cibernética,
racionalismo?
Você sabe quem é Marcuse, McLuhan?
Como é que vou parar para conversar com você?
Sabe, filho,
Não tenho tempo!
Mas, o pior de tudo,
O pior de tudo é que...
Se você morresse agora,
já,
neste instante,
Eu ficaria com um peso na consciência,
Porque até hoje
Não arrumei tempo para brincar com você,
E, na outra vida, por certo,
Deus não
terá tempo
de me deixar,
pelo menos,
vê-lo!
Neimar de Barros
Um Desejo Infantil
Um dia destes, um recorte de jornal reproduziu uma breve oração de uma criança.
Dizia assim:
Senhor,
Faça de mim uma Televisão,
para que meus pais me tratem como eles tratam a Televisão,
Para que olhem para mim,
com o mesmo interesse com que olham para a Televisão,
especialmente quando a minha mãe assiste a novela favorita e meu pai a cada jogo de futebol.
Eu quero falar como aqueles homens da Televisão,
quando eles falam, toda a família fica em silêncio para ouvir bem o que eles têm a dizer.
Eu gostaria de ver a mamã se admirasse comigo
como ela se admira quando vê a última moda na Televisão.
Eu gostaria que meu pai risse comigo
como ele faz quando os artistas contam piadas na Televisão.
Eu gostaria que meus pais me dessem atenção
tanta quanto dão à Televisão.
Quando ela não funciona, imediatamente chamam alguém para cuidar dela.
Senhor,
Eu gostava de ser uma Televisão e assim ser a melhor amiga, a pessoa mais importante na vida dos meus pais.
Amém
