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quarta-feira, 1 de julho de 2009

Flowers are the girls best friends, or not ...



Pedro
2009.07.02

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Por que queremos ter um filho?

Sim, o que leva uma mulher e um homem a quererem ter um filho?

Dirão os mais críticos que hoje em dia muitas mulheres tomam esta decisão sozinhas, sem necessitarem da aprovação, ou até da participação (que desgraça, se isto pega ….) de um homem.

Sim, é verdade!

Mas o que pretendia não era discutir a emancipação feminina, ou segundo a minha opinião, a oficialização da emancipação feminina, por que na realidade as mulheres sempre fizeram o que bem entendiam, o que muitas vezes correspondia a agir totalmente à revelia do "HOMEM", a autoridade oficial. E não eram só milagres das rosas …

Mas dizia eu:

O que leva um Humano a querer ter um filho?

Se fizéssemos uma pesquisa na internet, no Google, no Bing ou noutro qualquer outro motor de busca sobre este tema, com certeza que iríamos encontrar centenas de hits, sendo que a maior parte deles se devem à inépcia do motor de busca e não é qualidade e relevância do conteúdo encontrado.

Mas, e pondo de parte estas picuinhices da informática, "a ciência que veio para resolver problemas que não tínhamos antes do seu aparecimento", talvez pensássemos em autores famosos como Charles Darwin.

Em três frases, Charles Darwin advogava que os seres vivos só conseguem vencer a luta da sobrevivência e da evolução selectiva por se adaptarem constantemente, dando melhores condições à sua prole para sobreviverem.

Seria como se cada ser vivo estivesse num ciclo constante de reencarnações, sem Karma à vista, procurando em cada uma delas melhorar, fugindo a sete pés de uma extinção previamente anunciada.

Segundo esta teoria, que se procura afincadamente provar através dos achados arqueológicos e de teorizações criativas dignas de um Pulitzer, cada ser tentaria, no limite das suas forças, procriar, transmitindo genes o mais apurados possível, e produzindo o maior número de réplicas possível (quanto mais filhos melhor!!).

Bem e os que matam os filhos?

E os que abortam?

E os que violam os filhos?

E os que trazem subalimentados e doentes, claramente carentes de cuidados?

Embora não esteja em posição de refutar a Evolução, e na verdade nem o pretenda neste fórum, não me satisfaz a justificação ….

Por outro lado, quase todos nós nos países europeus, e sobremaneira nos que beiram o mediterrâneo, fomos ensinados na tradição judaico-cristã do "multiplicai-vos e enchei a terra". Quantos mais forem, mas servos do Senhor existiriam e mais o Seu nome seria glorificado.

Não fora o celibato obrigatório dos membros de boa parte das ordens religiosas, e dos mais proeminentes representantes do ramo Católico Apostólico Romano, entre outros, e eu quase que acreditava que esse era o fundamento para alguém querer ter um filho. Afinal, é popular a política anti-anticoncepcionais que especialmente a Igreja Católica segue. Nesta perspectiva faz sentido, se o objectivo é gerar servos para servir o Senhor, então uma maldita pílula, mesmo que do dia seguinte, um demoníaco preservativo, ou uma qualquer cirurgia que interrompa os fluxos migratórios das células reprodutoras no corpo de um humano são um sacrilégio e portanto algo a ser combatido com todas as energias.

Mas quando olho para poços cheios de cadáveres de crianças encontrados em mosteiros ao cuidado destas ordens religiosas durante a idade média, nos criminosos abusos sexuais cometidos por sacerdotes celibatários sobre coroinhas desprotegidos e que normalmente chegam à imprensa décadas depois com titulo como "Igreja paga milhões de indemnização por abusos contra crianças de 8 anos", o que posso pensar?

Que também não será esse o motivo. Afinal quem pode ignorar esta realidade e justificar os seus actos de forma tão irresponsável e dependente?

Passados estes dois argumentos, o que sobra?

A vontade de ser pai/mãe porque me falta alguma coisa….

Chega a altura em que uma mulher não fica completa se não for mãe – dizem alguns

Ou então a vontade de perpetuar um legado.

"Todo o meu trabalho, tudo o que eu construí será continuado pelo meu filho" – alguns já nem se referem aos filhos como tal, apenas como "o meu herdeiro", como se tudo dependesse de uma porção de refugo, como são as coisas que o dinheiro pode genuinamente comprar.

Mas de todas a que eu gosto mais é a que está sintetizada na expressão:

"Cuida bem do teu filho porque será ele a escolher o lar de terceira idade para onde vais" J

Ou seja procriar não com o objectivo de preservar a espécie, não com o objectivo de contribuir para um desígnio maior, antes com o singelo objectivo de quando for velhinho poder ter quem tome conta de mim, ou pelo menos que me visite de quando em vez, nem que seja só no natal.

Como definiríamos estas ultimas razões apresentadas?

Egoísmo é uma palavra que vos parece bem?

Porque digo que a maior parte das pessoas que fazem filhos, o fazer por egoísmo – sim eu sei que querer ter e fazer não são sempre expressões sinónimas, ate porque muitos dos que os fazem na verdade não os querem ter …

1 Momento de loucura com contas mal feitas – 1 filho

1 "Manguito roto" – 1 filho

1 Casamento tremido – 1 filho

1 Coração vazio – 1 filho

Por isso a tão proverbial frase que nos anos 80 circulava no vidro traseiro de muitos carros – tenha cuidado, 80% das pessoas foram feitas por acidente – profundo mas real.

Avaliado isto, e com tão boas razões para ter um filho, talvez nos perguntemos porque é que a população europeia composta de Cidadãos A - trabalhadores, integrados, socialmente activos e contribuintes líquidos para os orçamentos dos diferentes países do velho continente - está a reduzir-se de forma tão significativa?

Na realidade, parece que os europeus, sabe Deus se por se estarem a tornar ateus, se por acharem que já atingiram a perfeição, se por se terem tornado egoístas a um tal extremo que pretendem auto-satisfação mas só se esta não der muito trabalho, ou por se simplesmente estão demasiado exposto ao stress, à poluição, aos imensos estímulos recreativos que actualmente existem (não é só a TV) e às relações "tipo-coelho" onde muitas vezes o que fica a faltar é saber o nome da(o) parceira(o) fortuita(o) que acabou de sair porta fora e que temos a certeza que não voltará, deixaram de fazer filhos, pelo menos ao ritmo (ritmo aqui é uma palavra infeliz, mas… ) que o faziam antigamente.

Os governos europeus começam a tentar aliciar os casais a ter mais filhos. As benesses que estão a ser atribuídas são tão pouco significativas que os Cidadãos A não se sentem motivados a procriar simplesmente porque isso dará mais 1 mês em casa para um dos pais, ou eventualmente mais uns trocos. Por outro lado, os cidadãos B aproveitam essas benesses e procriam de forma extensiva, aliás alguns deviam estar colectados nas finanças como procriadores, uma vez que o único rendimento fixo que detêm provem dos para cima de meia dúzia de filhos que alegremente conceberam e trouxeram a este mundo à custa do erário público. Isto dá que pensar, uma vez que se por um lado não queremos segregar este ou aquele pela sua condição social, situação económica ou outra, por outro lado não devia ter o estado uma politica que motivasse os Cidadãos A a ter condições para criar os seus petizes, e de faze-lo numa média de 2,1 como dizem os estudos sobre a evolução demográfica?

Nem que fosse em nome da dar uma ajuda à selecção natural de Darwin, permitindo que estejamos neste momento a construir a desagregação da sociedade europeia como a conhecemos e a voltar a um certo tipo de barbárie?

Pois é ….

No meu caso, o meu filhote foi um exercício de egoísmo partilhado com a minha esposa. Acho que não estávamos vazios, ou em crise. Acho mesmo que foi um momento de loucura, mas sem contas, porque quando se faz certas coisas é impossível fazer contasJ.

2009.06.12

Pedro


sábado, 4 de abril de 2009

Porque será que perdemos os momentos perfeitos da nossa vida?

Há coisas na vida que não consigo explicar!!!

Já vos aconteceu: o momento perfeito ser estragado por um qualquer incidente, erro de julgamento ou insegurança…

Tipo prepararem um banho perfumado com pétalas de rosa e depois a vossa amada simplesmente achar que não lhe apetece o programa….

A mim isso sucedeu-me algumas vezes, mas talvez a mais marcante seja o momento do nascimento do meu filhote.

A angústia, já a contei antes aqui no blog.

A revolta face a simpática e elegante J enfermeira também já relatei.

O que não vos contei foi o episódio mais estúpido da noite:

Quando fizemos o check-in, não acreditei que seria o dia.

Quando a Vera entrou na maternidade, achei que seria apenas para voltar passados alguns momentos com uma forte reprimenda de uma qualquer profissional de saúde, sempre tão prestáveis e simpáticas.

Mesmo quando me pediram para trazer a mala, ainda assim pensei que aquilo fosse uma história para durar mais uns dois dias.

Estava tão convicto disso que, mal os meus pais chegaram a sala de espera da maternidade, e de eles me terem aconselhado calma um bilhão (ou será bilião, ou será milhar de milhão, what ever …. ) de vezes, foi tratar de uma tarefa importante.

Tão importante que me fez abandonar o plantão na sala de espera da maternidade.

Fui pagar a conta do telefone – detesto-me por isso!!!!

Desci os 3 andares até ao ATM e como bom cidadão, tratei de saldar as minhas contas.

Enquanto isso, uns 9 metros acima, os pulmões do meu filho inspiravam as primeiras golfadas de ar, o seu coração bombeava sangue a um ritmo como nunca o havia feito ou o voltará a fazer, e a sua gargantinha emitia os primeiros choros estridentes. (pela amostra dos meses seguintes quase tenho pena do médico)

E eu no ATM… L

Dá que pensar como a vida por vezes é injusta por não nos dar o privilégio de viver alguns momentos como sonhamos com eles, ou seja de forma a serem momentos perfeitos.

Quando cheguei junto daquele que deveria ter sido o meu posto ao longo da noite, encontrei a minha mãe e os meus sogros infectados de uma alegria contagiante.

A minha semente não só tinha nascido, como os avós já o tinham visto. Aqueles comentários pareciam-me estranhos. Não conhecia ninguém que estivesse menos de umas três horas em trabalho de parto. Não concebia que o meu filho não tivesse esperado por mim e tivesse nascido enquanto eu tinha a barriga encostada ao ATM.


Enfim momentos que poderiam ser perfeitos …..


Pedro

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A SuperMulher

Há coisas que não entendemos, por inaptidão natural.

Um cego desde o nascimento nunca poderá exprimir o que é ver.

Um surdo de nascença nunca poderá descrever de forma adequada a sensação de ouvir.

De uma forma equivalente, acredito que é impossível a um homem expressar o que é vivenciar um parto.

Que temores, aflições e alegrias uma mulher sente nesse momento mágico?


Pelo avançado da hora, leia-se por má vontade do Freddy Krugger lá do sítio, não assisti ao trabalho de parto do meu filhote.

Fui deixado plantado, entregue às minhas agonias, inseguranças e incertezas, num vão de escada de hospital.

O que se passou ai dará um próximo post, que não deixarei de fazer, dada a riqueza daqueles momentos.


No entanto, desse dia existe uma imagem que guardo.

Sim, vi o meu filho nesse dia pela primeira vez! Foi inesquecível!

Mas mais do que isso, a visão que melhor guardo é a da minha esposa, a Vera.

Acreditava eu que ela terminaria o trabalho de parto abalada, cansada e verdadeiramente de rastos.

Mas o que vi foi outra coisa completamente diferente.

Alegre, com excelente aspecto, sorridente como quem vem de um passeio junto ao mar, apareceu ela, deitada numa maca.

Eu não queria acreditar, mas eu tinha casado com a Supermulher.



Eu e a SuperMulher, alguns anos depois